Pode parecer roteiro de filme de terror, mas a realidade é que um pequeno e faminto inseto voltou a dar as caras nos Estados Unidos. Um caso de verme do novo mundo (New World screwworm) foi confirmado no sul do Texas, e a notícia já deixou muita gente de cabelo em pé, especialmente quem trabalha com gado.

Essa não é uma mosquinha qualquer. As fêmeas do verme do novo mundo são verdadeiras predadoras: elas botam centenas de ovos em feridas e aberturas de animais de sangue quente. O que acontece depois é assustador: as larvas se alimentam da carne viva do hospedeiro, criando feridas profundas e perigosas que podem levar à morte.

Um fantasma do passado que retorna

O mais chocante é que esse parasita já foi erradicado dos Estados Unidos lá pelos anos 1960, depois de um esforço gigantesco que durou anos. Acredita-se que a ausência dele tenha salvado a pecuária americana de prejuízos na casa dos US$ 900 milhões por ano, segundo o próprio Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Mas, ao que tudo indica, o verme do novo mundo não se deu por vencido. Ele tem avançado pela América Central nos últimos anos, e agora, finalmente, cruzou a fronteira com os Estados Unidos. A confirmação veio depois que amostras de um bezerro de três semanas, encontrado em Zavala County, no Texas, foram enviadas para análise e testaram positivo.

O que está em jogo?

Embora qualquer animal, inclusive humanos, possa ser vítima desse parasita, o gado é o alvo preferencial e mais vulnerável. As perdas econômicas podem ser enormes, e é por isso que a indústria pecuária americana está em alerta máximo.

O avanço desses insetos pela América Central tem sido monitorado de perto. Recentemente, casos foram detectados bem perto da fronteira com o México, como um em uma cabra em Coahuila, a cerca de 40 quilômetros da divisa com os EUA, e outro em um bezerro na mesma região.

Polêmica e desinformação

A notícia da chegada do verme do novo mundo aos EUA não veio sem polêmica. Houve relatos e especulações de que o parasita já estaria no país antes mesmo da confirmação oficial. Um representante do Texas chegou a afirmar que um caso havia sido encontrado a apenas 1,6 quilômetro da fronteira, o que foi inicialmente negado pelo USDA e pela Secretária de Agricultura do estado, Brooke Rollins.

Rollins chegou a comentar que informações falsas podem gerar pânico desnecessário, especialmente quando vêm de fontes oficiais ou da mídia. No entanto, com a confirmação do caso em Zavala County, a preocupação se tornou real e palpável.

Como os EUA pretendem combater o verme?

A estratégia para erradicar o verme do novo mundo nos anos 1960 foi bastante eficaz e baseada na Técnica do Inseto Estéril (SIT). Basicamente, eles criavam milhões de moscas machos estéreis e os soltavam na natureza. A ideia era que esses machos "inúteis" competissem com os machos férteis pelos acasalamentos. Como as fêmeas do verme acasalam apenas uma vez na vida, ao se acasalarem com um macho estéril, sua chance de reprodução acabava ali. Esse método não só erradicou o verme dos EUA, mas também de toda a América Central, com a última declaração de erradicação no Panamá em 2006.

Porém, uma barreira biológica que existia na região do Darién Gap, entre o Panamá e a Colômbia, foi rompida em 2022. Desde então, os vermes vêm avançando para o norte. Para conter essa nova ameaça, os EUA já estão tomando medidas:

Vigilância intensificada:* Aumento do monitoramento e armadilhas para insetos no Texas. Nova fábrica de moscas estéreis:* Um investimento de US$ 750 milhões está sendo feito para construir uma nova instalação de produção de moscas estéreis no sul do Texas. Liberação em massa:* O USDA está liberando 100 milhões de insetos estéreis por semana no México e na fronteira EUA-México para tentar impedir o avanço. Além disso, 4 milhões de moscas estéreis já estão sendo liberadas por via aérea na região do Texas onde o caso foi confirmado.

Um inimigo antigo, mas persistente

A batalha contra o verme do novo mundo não é nova. A história mostra que, com ciência e persistência, é possível vencer esse inimigo. O próprio USDA declarou que "os Estados Unidos já derrotaram essa praga antes e o farão novamente". A expectativa é que as medidas atuais sejam suficientes para conter e, quem sabe, erradicar novamente esse parasita assustador do solo americano.